18/09/2026 16:32:21
Atualizado em 18/09/2026 16:34:07
Vinte e cinco anos de histórias, encontros e aprendizado. O Programa Alegria celebrou, no dia 10 de setembro, no Teatro Feso, sua trajetória de humanização no Hospital de Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO) e de formação de estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso). A cerimônia reuniu fundadores, professores, profissionais formados pela instituição que participaram do programa e novos integrantes, que também participaram da tradicional entrega do nariz de palhaço.
Criado a partir da iniciativa de estudantes, o Programa Alegria nasceu com uma proposta simples: levar música, brincadeiras e descontração para dentro do hospital. Ao longo dos anos, a iniciativa ganhou estrutura, passou a integrar o Programa de Humanização do HCTCO e se consolidou como uma ação de extensão do curso de Medicina.
Um dos fundadores, o médico Fábio Gomes, formado em 2004, conta que a ideia surgiu ainda nos primeiros anos da graduação. Inspirados, entre outras referências, pelo trabalho dos Doutores da Alegria, os estudantes começaram a se reunir e organizar uma ação voluntária. "A ideia foi de fazer, só isso", lembra Fábio.
A primeira visita foi planejada para a Pediatria, mas o grupo acabou percorrendo outros setores do hospital já naquele primeiro dia. A experiência mostrou, desde o início, o potencial do encontro e da interação no ambiente hospitalar. "Você chega lá e está todo mundo parado. E você começa uma intervenção e, na hora que você vai ver, todo mundo fica melhor. E é uma troca. Isso sempre foi uma troca", recorda.
Formação para além da sala de aula
Com o passar dos anos, o Programa Alegria passou a fazer parte da formação acadêmica dos estudantes. Antes da cerimônia do juramento, os novos integrantes participam de atividades de capacitação que incluem oficinas de improviso, expressão corporal, biossegurança, dança e maquiagem.
Para Fábio, a experiência amplia a compreensão dos estudantes sobre a própria profissão e sobre o cuidado em saúde. "É um projeto que tem impacto nos estudantes. Não é só um impacto do hospital, dos hospitalizados, do paciente. Tem um impacto nos estudantes também com a humanização", afirma.
Segundo ele, a vivência proporciona um novo olhar sobre a assistência. "É uma forma diferente de você prover a saúde. De você entender que saúde não é só curar doença, é aliviar sofrimento", observa.
O enfermeiro Erivelton Cordeiro Carvalho está entre os precursores do projeto. Para ele, a participação no Programa Alegria representou uma experiência que teve impacto em sua trajetória pessoal e profissional. "Eu vejo como um divisor de águas na minha vida", afirma. Segundo Erivelton, a participação no programa contribuiu para desenvolver sua capacidade de comunicação e expressão. "É mais do que um projeto voluntário. É mais do que fazer para as pessoas. É transformar realmente quem eu era para quem eu sou", declarou.
O compromisso de manter a história viva
Durante a celebração, a professora Claudia Ribeiro, responsável pelo programa, destacou a importância dos estudantes na construção dessa trajetória e ressaltou que o nariz de palhaço representa também uma disposição para aprender com cada encontro.
Para ela, a experiência vivenciada no Programa Alegria contribui para a formação profissional e pessoal dos estudantes a partir do contato com histórias, singularidades e diferentes formas de compreender o cuidado.
Claudia agradeceu aos estudantes, funcionários, professores, pacientes e familiares que contribuíram para a construção do programa ao longo dos 25 anos e reconheceu também os fundadores que deram início à iniciativa. "Vocês são os grandes protagonistas desta história. Colocar um nariz de palhaço e entrar em uma enfermaria é um ato de coragem. É chegar com aquilo que se sabe, mas também estar disponível para o que ainda se precisa aprender. É reconhecer que diante de nós existe uma pessoa ali deitada, com histórias, medos, desejos, e uma vida que não se resume a um diagnóstico", afirmou.
A continuidade dessa história é um dos aspectos marcantes da trajetória do Programa Alegria. Para os primeiros integrantes, a preocupação sempre foi garantir que o projeto não terminasse com a formação de cada turma. "Faça o que for, mas não deixe acabar", lembra Fábio.
Na celebração, Adriano Ramires, ator convidado para ministrar as oficinas de maquiagem e palhaçaria em uma parceria de muitos anos, também destacou a importância da arte no ambiente hospitalar. "A arte da palhaçaria sendo utilizada em pequenas doses de amor nos hospitais. Não é remédio, mas colabora para amenizar a dor", disse.
Vestibular de Medicina 2027
As inscrições para o Vestibular de Medicina 2027 do Unifeso estão abertas. As inscrições podem ser realizadas até 13 de outubro de 2026, às 18h.
Informações e inscrições: econ.rio.br/medtere
Por Giovana Campos