15/09/2026 16:05:12
Na última sexta-feira, 11 de setembro, o Centro Cultural Feso Pro Arte (CCFPA) recebeu convidados para cerimônia de abertura da exposição coletiva "Linhagens: ecologias do tecer", mostra que reúne artistas de diferentes áreas com temas relacionados à ancestralidade, memória, vivência em comunidade, e uma mescla entre o mundo natural e o ambiente virtual.
Com base nas obras da psicológica Andréa Sumé, em especial seu poema "Ventre" e as ideias discutidas pelo ativista indígena Ailton Krenak, a exposição leva à Pro Arte, entre os dias 12 de setembro e 2 de novembro, um verdadeiro passeio entre o que origina e molda a ancestralidade de todos os seres humanos, independente da cultura, da sociedade e das circunstâncias das mais variadas.
"Nós entendemos que esse movimento fortalece os artistas e a mensagem para a humanidade sobre a sustentabilidade. Todos nós estamos interligados por diferentes fios e que, quando juntos, são fortes e aquecem. Além disso, é importante conectar uma arte milenar também com aquilo que temos de inovador em termos de tecnologia nas artes visuais", pontuou a diretora da Pro Arte, Edenise Antas.
Com curadoria e organização de Silviane Lopes, do Atelier Têxtil da Pro Arte, e de Marcia Moraes, do Coletivo São Paulo I Minas Gerais, do Movimento Cartografias Têxteis, a mostra também conta com participação de tecelãs do curso livre de tecelagem da Pro Arte, do Projeto Música para Juventude, o LabConatus UFF, Terecircular, e ainda participantes da chamada aberta.
"A arte têxtil é trabalhada na Pro Arte há mais de vinte anos. Dessa forma, nossa exposição é importante por contar com a parceria de artistas de diversas regiões do Brasil e do mundo, mostrando a força dessa arte milenar que trata de questões ambientais e da vivência em sociedade nesses territórios", disse Silvia Lopes.
O evento de abertura
A partir das 19h, convidados foram recebidos em uma apresentação com as organizadoras da exposição. No palco do Salão Nobre da Pro Arte, estiveram juntas as pesquisadoras Silviane Lopes e Marcia Moraes, a presidente do Conselho da CCFPA, Vanessa Barini, e a escritora Ana Maria de Andrade.
"Essa é uma exposição muito sensível e ao mesmo tempo muito expressiva. Todo mundo que vier visitar vai perceber isso. A arte têxtil é algo muito ancestral do ser humano, e as artistas conseguem trazer essas ideias para o mundo contemporâneo e com a linguagem contemporânea", afirmou Vanessa Barini.
Após a apresentação, Ana Maria de Andrade e Cristina Villaça representaram um poema com relação ao livro "Tramas abertas: juntando linhas, deixando pontas", que também teve seu lançamento durante o evento.
"O livro foi um convite da Silviane Lopes para que eu fizesse doze recontos de histórias ancestrais. Essas histórias têm como tema central a arte feminina de fiar e tecer. Esses contos passeiam por todos os continentes nos conduzindo por várias histórias emocionantes e inspiradoras", contou a autora Ana Maria de Andrade.
Ao fim do momento, os músicos Leonardo Pinto, diretor artístico e maestro da Orquestra Feso Pro Arte, e Diogo Aragão, professor do curso livre de Piano, interpretaram dois clássicos da música clássica brasileira.
A exposição
Dentro da exposição "Linhagens: ecologias do tecer" outras ações artísticas acontecem simultaneamente. O Coletivo Arani apresenta "Voejos", uma cartografia da vida, revisitando uma experiência imersiva realizada em 2022 e estabelecendo novas relações entre natureza, memória, território e cartografia têxtil. E "Mulheres Árvores", da artista visual Nath Oliveira, com pinturas acrílicas, bordados e aplicações de sementes e miçangas propõe reflexões sobre o corpo, especialmente o corpo feminino, como território de memória e ancestralidade.
Por: Raphael Branco