11/09/2026 15:08:11
Atualizado em 11/09/2026 15:27:30
O Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) promoveu, no dia 9 de setembro, a palestra "A comunicação sobre o TEA como ferramenta de combate ao capacitismo e promoção da saúde". O encontro teve como proposta ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), desmistificar preconceitos e discutir o papel da informação na construção de uma sociedade mais inclusiva. A atividade foi conduzida pela professora, psicopedagoga e pesquisadora Renata Lia Ferreira da Silva, que também está entre os autores do livro Autismo: Uma jornada de conscientização - Volume 2, coordenado por Marjorie Jasper. A obra foi apresentada durante o encontro e, ao final da programação, foi realizada uma sessão de autógrafos.
Entre os temas abordados esteve o capacitismo, definido como um conjunto de crenças baseado em uma compreensão normatizada e autoritária sobre os padrões corporais humanos. A discussão destacou como a falta de conhecimento pode contribuir para o preconceito e para atitudes capacitistas em relação às pessoas com deficiência.
Outro ponto apresentado foi o movimento da neurodiversidade, que contribui para uma compreensão das diferenças neurológicas como parte da diversidade humana. Nesse contexto, a comunicação tem papel importante para aproximar o conhecimento produzido pela academia do público em geral, utilizando linguagens e meios acessíveis. Durante o encontro, Renata também apresentou possibilidades de ações práticas, como a análise de campanhas de conscientização sobre o TEA, a utilização de redes sociais, palestras e materiais impressos, além da adoção de uma linguagem inclusiva e de representações positivas. O estímulo à pesquisa e à produção de conhecimento sobre neurodiversidade, incluindo as duplas excepcionalidades, também foi destacado.
Para a professora, o conhecimento científico e as práticas baseadas em evidências são fundamentais para promover mudanças. "Não existe cidadania sem respeito, sem valorização das diferenças e sem que a gente consiga ser de verdade uma sociedade inclusiva", afirmou.
Para Júlio Machado, estudante do 8º período de Medicina, assistir à palestra foi uma oportunidade de ampliar os conhecimentos sobre a neurodiversidade. "Eu gosto muito do trabalho que a professora Renata desenvolve na instituição, não só em relação à neurodiversidade, mas também em outras questões que envolvem a diversidade humana. O tema do autismo ainda é pouco debatido na Medicina e, agora, estando no rotatório de Pediatria, temos muito contato com crianças neurodivergentes. Foi muito interessante participar da palestra, entender um pouco mais sobre a temática e perceber a importância de estudarmos e debatermos mais esse assunto, principalmente sob a perspectiva do cuidado interprofissional e multiprofissional. Isso é fundamental para garantir que as pessoas neurodivergentes, especialmente aquelas com transtorno do espectro autista, tenham acesso adequado à saúde, à educação, à cultura e à cidadania, de forma mais leve e inclusiva. Buscar informações adequadas e levar esse conhecimento para a nossa formação médica é muito importante", concluiu o estudante.
Sobre a autora
Renata Lia Ferreira da Silva é psicopedagoga, pesquisadora e professora, com mais de 20 anos de experiência nas áreas de educação e saúde. É mestre em Psicologia Clínica, pedagoga, especialista em Psicopedagogia e Educação Infantil e possui certificação internacional em Disciplina Positiva.
Atua como psicopedagoga clínica no Espaço Cognitar, em Teresópolis (RJ), com foco no atendimento a crianças com perfil de neurodesenvolvimento atípico e na orientação parental às famílias. No Unifeso, é professora e coordenadora do projeto de pesquisa Proteger Neurodiversidade. Também atua como docente em cursos de pós-graduação em Psicopedagogia e é autora de livros e artigos científicos publicados e apresentados em congressos nacionais e internacionais.
Por Giovana Campos