CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ÓRGÃOS




Exposição "Linhagens: ecologias do tecer" reúne arte e diversidade na Feso Pro Arte

02/09/2026 10:13:48

Atualizado em 02/09/2026 11:18:05

Entre fios, memórias, afetos e diferentes formas de expressão, o Centro Cultural Feso Pro Arte recebe, de 12 de setembro a 2 de novembro, a exposição coletiva "Linhagens: ecologias do tecer". A mostra reúne trabalhos têxteis e diferentes experiências artísticas relacionadas à ancestralidade, à memória, à natureza, ao território e às formas de pertencimento.

Com curadoria e organização de Silviane Lopes, do Atelier Têxtil da Feso Pro Arte, e de Marcia Moraes, do Coletivo São Paulo | Minas Gerais do Movimento Cartografias Têxteis, a exposição nasce do encontro entre o poema Ventre, da psicóloga Andréa Sumé, e a reflexão do ambientalista, filósofo e ativista indígena Airton Krenak, para quem a ancestralidade ultrapassa a genealogia humana e habita todas as formas de vida, portadoras de memórias que atravessam o tempo.

A proposta convoca memórias ancestrais por meio de imagens como o útero, os clãs, as sementes, as árvores, suas raízes e copas, os animais e os seres humanos em seus territórios. Nesse contexto, o bordar, o tecer, o rendar e outras manifestações têxteis aparecem como gestos de colaboração, cuidado e pertencimento, entrelaçando linhagens de sangue, memória, afetos e pensamento.

A mostra contará com a participação do Movimento Cartografias Têxteis, iniciativa internacional de investigação-ação colaborativa coordenada pela Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual (APECV), de Portugal. O movimento reúne artistas, educadores, pesquisadores e comunidades de diferentes territórios por meio da arte têxtil, utilizando práticas como o bordado e a tecelagem como formas de expressão artística, coesão social e ativismo ambiental.

Em Teresópolis, a parceria com o Centro Cultural Feso Pro Arte e com Silviane Lopes possibilitou a realização de uma residência artística com a pesquisadora e artista Marcia Moraes. As ações envolveram experimentação, pesquisa, troca de saberes e afetos e criação coletiva. As obras produzidas durante a residência, trabalhos enviados por meio de uma chamada aberta e peças do acervo do movimento integram a exposição.

Entre os participantes estão as tecelãs do curso livre de Tecelagem do Centro Cultural Feso Pro Arte, o Projeto Música para Juventude, o LabConatus UFF, o Cor.Po - FAU/UFJF, Terecircular, além de participantes da chamada aberta e do acervo Cartografias Têxteis.

Para Silviane Lopes, que desenvolve desde 1999 pesquisas relacionadas à tecelagem no Feso Pro Arte, a exposição representa a continuidade de uma trajetória de investigação que também dialoga com técnicas originárias e com a produção contemporânea. Segundo ela, a arte pode provocar sentimentos e reflexões e contribuir para o debate sobre questões socioambientais e ecológicas.

"Eu acho que a arte vem para nos causar algum tipo de sentimento, algum tipo de reflexão", afirma Silviane.

Para ela, o trabalho do Cartografias Têxteis parte da possibilidade de utilizar o fazer têxtil como forma de expressão e também de abordar questões socioambientais e ecológicas. A iniciativa reúne, ainda, diferentes públicos e áreas do conhecimento, ampliando a diversidade de experiências em torno da proposta têxtil.

Programação integrada

A exposição acontece simultaneamente a outras ações artísticas, ampliando o diálogo entre diferentes linguagens e perspectivas.

O Coletivo Arani apresenta Voejos - uma cartografia da vida, revisitando uma experiência imersiva realizada em 2022 e estabelecendo novas relações entre natureza, memória, território e cartografia têxtil.

A artista visual Nath Oliveira apresenta "Mulheres Árvores", com pinturas acrílicas, bordados e aplicações de sementes e miçangas. A mostra propõe reflexões sobre o corpo, especialmente o corpo feminino, como território de memória, ancestralidade e reinvenção.

Também integra a programação "As Terezas", instalação interativa que evoca o feminino no plural. Em cada linha, gesto e memória, um tecido se desenha coletivamente, entrelaçando histórias, afetos e pertencimentos em uma trama comum.

Abertura para convidados

A abertura da exposição será realizada no dia 11 de setembro, restrita a convidados, juntamente com o lançamento do livro "Contos em Fios", de Ana Maria de Andrade, com ilustrações de artistas convidados. A publicação reúne narrativas relacionadas à memória, aos afetos e à experiência humana, apresentadas por meio de uma linguagem que dialoga com o universo têxtil.

Seminário "Tramas abertas: juntando linhas, deixando pontas"

No dia seguinte, 12 de setembro, das 14h às 19h, o Centro Cultural Feso Pro Arte promove o seminário "Tramas abertas: juntando linhas, deixando pontas", no Salão Nobre. A programação contará com a participação de artistas, pesquisadores, educadores e representantes dos projetos envolvidos na exposição, incluindo Teresa Eça, presidente da APECV e coordenadora do Movimento Cartografias Têxteis, com participação on-line.

A programação será encerrada com uma visita à exposição, em um convite para ampliar as conexões entre arte, natureza, memória, território e as diferentes formas de tecer relações.

Serviço

Exposição: Linhagens: ecologias do tecer

Período: 12 de setembro a 2 de novembro de 2026

Horários: quarta a sexta-feira, das 10h às 20h | sábado, das 11h às 16h

Local: Centro Cultural Feso Pro Arte (R. Gonçalo de Castro, 85 - Alto, Teresópolis - RJ)

Curadoria e organização: Marcia Moraes e Silviane Lopes

Visitação gratuita e aberta ao público

 

Seminário "Tramas abertas: juntando linhas, deixando pontas"

Data: 12 de setembro de 2026

Horário: das 14h às 19h

Local: Salão Nobre do Centro Cultural Feso Pro Arte

Por Giovana Campos

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